sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

And so this is Christmas

Tá bom, é Natal. Até The Grinch mudou de ideia e … a propósito, conhecem já os livros do Dr. Seuss? São super divertidos!

The Grinch

Em suma. É Natal.

Para as crianças e os apaixonados (aqueles que acreditam em milagres) este período pode ser uma oportunidade pra agradecer, oferecer flores, reencontrar-se, falar, esclarecer, abraçar, estar junto olhando as nuvens ou o infinito, passear, brincar… e tantas outras dessas atividades inúteis e grátis. Que tiram os pesos do coração.

Ir além da data comemorativa, só uma a mais entre o monte que tem no calendário. Além das leis do Mercado – que consegue sobreviver bem sem esses símbolos pré-fabricados.

Estranho. Sempre fui muito insensível (às vezes até meio irritada) a esses períodos-em-que-todo-mundo-faz-essas-coisas. Não gosto dos enfeites, das cerimônias, da enorme quantidade de presentes e de comida. Gosto menos ainda de sentimentos enquadrados dentro de um contexto.

Mas este ano parece que fui contaminada. Sou a primeira da fila querendo entrar em 2010 com o coração leve feito pluma =)

_Claudia_

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

AvóDezanove e o segredo do soviétivo



Acabei de ler mais um livro do angolano Ondjaki. Vou me assegurando de que se trata mesmo de um grande visitador desse lugar-antigamente, a infância. Em Avó Dezanove e o Segredo Angolano, o narrador é uma criança que conta sobre a construção de um mausoléu que vai abrigar o corpo do ex-presidente Agostinho Neto e das conseqüências dessa obra monumental na vida de um bairro tranqüilo em Luanda. Alguns personagens já estavam em Os da Minha Rua_ Pi, o 3,14; Charlita, a única entre as irmãs que tinha óculos e o dividia na hora da novela; o Gadinho e o Paulinho. Dessa vez, não estão a brincar de 35 vitórias, mas a enfrentar a crueza da política através da fabulação.

Selecionei dois trechos exemplares:

“_ Tínhamos combinado que era de noite.
_ Mas o mundo está cheio de surpresas camarada, e temos que aproveitar. Agora, vamos ver como?
_É só esperar um bocadinho.
_O quê?
_É só esperar um bocadinho. Os olhos vão se habituar, vais começar a ver no escuro.
_Ver no escuro? Nunca vi.
_Mas vais ver. O escuro é como uma brincadeira. Acaba rápido
.”

Quieto a não pensar.
(...)
A inventar minutos meus dentro dos minutos do tempo?
A crescer com um coração e um corpo a fugirem da infância? “Alguém corre atrás do menino?”, a avó Dezanove costumava perguntar. O tempo me perseguia com um corpo de me assustar? Eu me sentia o mundo todo ali no pequeno largo da praia do bispo?”


É do próprio autor a idéia de que a infância é "um ponto cardeal eternamente possível". Um lugar. Um lugar é sempre fora da gente, é um convite ao visitante. No entanto, é só através do nosso lugar-memória que podemos acessar o lugar-infância. E aí estamos de novo próximos da percepção de Ana Paula Tavares em cartas trocadas com Ondjaki em que ela constata como as crianças crescem em segredo.
Por tudo isso, a sociologia da infância tem se utilizado do conceito de sociologia reflexa de Bourdieu, abandonando a perspectiva positivista ao mesmo tempo em que procura objetivar a sua própria perspectiva.

E é por isso que vez em sempre a gente acaba falando da nossa própria infância e do nosso lugar. Sujeitos que estamos a olhar as crianças pela ótica embaçada da memória.

_Cibele_

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Fralda ecológica

Quando Davi nasceu, há quase 15 anos, embora em pleno boom das fraldas descartáveis, optei pelo uso das fraldas de pano durante o dia. Lembram delas? Hoje parecem relíquias de um passado distante.

fralda-de-pano

Ele usava fraldas descartáveis só pra dormir. Naquela época, li muito sobre isso e tirei minha conclusão principalmente de 2 pontos: a maior irritabilidade da pele que a fralda descartável provoca (devido aos componentes químicos para torná-las impermeáveis e porque impedem a natural circulação do ar) e o desrespeito ao meio ambiente, já que são altamente poluidoras (constituem 15% do lixo não reciclável). Depois percebi que existiam outros motivos importantes: economia doméstica (as fraldas descartáveis custavam muito!), facilitação da aprendizagem do controle dos esfíncteres (com a fralda de pano, a criança é capaz de perceber melhor os excrementos e de sentir um certo incômodo, o que a estimula a controlar os esfíncteres mais cedo e de um modo mais natural), maior conforto para o bebê (o algodão é muito mais “fofinho” de vestir). Existem até estudos associando o aumento de temperatura provocado pelas fraldas descartáveis ao aumento da infertilidade masculina nos últimos 25 anos.

Era meio trabalhoso sim. Eu tinha de lavar a mão e ferver as fraldas num balde de alumínio. Depois estendê-las e no dia seguinte passá-las a ferro. Mas não eram tarefas que eu fazia chateada não. Era algo como preparar eu mesma a papinha dele, dar o banho, cuidar do quarto… coisas que me davam mais prazer que trabalho, na verdade. Eu tinha construído algumas condições de maternidade que a maioria das mulheres não tem: trabalhava fora poucas horas por dia, tinha uma auxiliar em casa e o estado de ser mãe tinha sido uma escolha tanto racional quanto afetiva. Tudo isso colaborou pra que o período-fralda fosse curto (pra ser mais exata, durou o tempo natural) e tranquilo aqui em casa.

Hoje as fraldas descartáveis ocuparam seu espaço no mercado e ninguém mais pensa nas old-fashioned fraldas de algodão. Ninguém? …

baby7_230x230[1]

Aqui na Itália um grupo de mulheres está levando avante um belíssimo projeto chamado “Fralda Amiga”, cada dia mais amplo no país. O projeto funciona assim: apenas nasce um bebê, e antes mesmo de colocarem os enfeites tradicionais nas portas das casas, as mães recebem uma carta convidando a participar do projeto e explicando as vantagens, junto com um kit de 24 fraldas de algodão e 3 calcinhas/cuequinhas impermeáveis. As fraldas são de nova geração: são feitas com 90% algodão e 10% de um material absorvente natural, podem ser lavadas na máquina e enxugam rapidinho, sem precisar passar a ferro. O modelo é já em forma de shortinho, o que facilita o uso (não precisa dobrar). pannolini_lavabili

As mães que aceitaram participar (já são muitas) estão fazendo um diário de campo e as impressões não podiam ser mais positivas. Com a experiência, conseguiram convencer primeiro as avós (que resistiam achando que era um retorno ao passado depois de uma grande conquista) e os maridos, que temiam que as fraldas na máquina de lavar sujassem suas camisas. O projeto foi testado com mães consideradas “difíceis” (muitos filhos, trabalhadoras, singles) e deu também ótimos resultados. Os números são animadores, a porcentagem de desistência é só de 0,2%.

Enfim, um projeto que está fazendo seu caminho por aqui e que merece ser aplaudido. Parece que esse movimento já chegou aí no Brasil, mas as novas fraldas ainda não estão disponíveis. Não tenho notícia de projetos oficiais. Se não me engano, as novas fraldas de algodão já estão à venda pelo E-bay... Vale a pena procurar também em lojas virtuais e outros distribuidores.

_Claudia_

 
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